Tatuagem no osso

Calma. A coisa é bem menos sanguinolenta do que aparenta ser – apesar de ter certeza de que os olhos de muitos brilharam com a possibilidade –. O osso do qual falamos, recomenda-se, não seja de humanos, muito menos de vivos.

Trata-se do scrimshaw, um termo cuja etimologia data do século 19 e que nomeia a técnica artesanal feita por marinheiros nas horas livres que consiste em gravar desenhos em conchas, marfim, ossos e afins. É considerada, por isso, a arte dos marinheiros.

Motivos marítimos

pesquisas e indícios arqueológicos de trabalhos comparáveis ao scrimshaw dos marinheiros na América do Norte por volta dos anos 100 e 200 d.C., muito antes que os navegadores do século 19 verdadeiramente criassem e nomeassem essa forma de arte. Se a origem é norte-americana ou não, o importante é que a arte de gravação em osso definiu um momento histórico importante, gerou museus e coleções que hoje caracterizam o período e que se tornou uma forma a mais de artesanato.

Não é para qualquer um, é claro. Jim Stevens, artista, escultor, scrimshander e autor de três livros sobre o assunto, diz que a técnica é um vagaroso e cuidadoso processo em que um erro pode arruinar toda uma peça; “scrimshaw não é uma arte para o impaciente”, já que cada peça pode levar de 30 a 900 horas para ser terminada. Para ele, o scrimshaw combina o charme da história, da arte e da hereditariedade.

As pinturas nas presas contam histórias do período em que foram feitas

Uma peça pode ser comprada por US$ 15 ou US$ 20, mas as peças de colecionador – com valores histórico e/ou emocionais grandes –, bem, vocês imaginam quanto podem custar. Um colecionador famoso foi o presidente norte-americano John F. Kennedy, que dispunha várias peças no Salão Oval da Casa Branca.

Faça você mesmo

A descrição da técnica por si só já dá uma ideia de como ela pode ser aplicada. Entalhar o material e preencher as linhas gravadas com tinta produz uma peça em scrimshaw. Podem ser broches, pingentes para joias e bijuterias diversas, como colares, brincos e pulseiras, dados, punhos de bengala, dedais, peças decorativas, esculturas, ou seja, qualquer peça em que seja possível adaptar a técnica.

Você usaria joias de ossos? Muita gente usa

Materiais necessários: podem ser utilizados ossos, chifres, conchas, dentes, cabos de marfim de talheres velhos, teclas de piano – o marfim hoje sofre restrições de comercialização pela matança de elefantes, cujas presas são fontes do material – ou superfícies de plástico, como imitação de marfim.

Ossos e chifres devem ser fervidos durante várias horas para que sejam removidos todos os vestígios de carne e de sujeira. O site Faça você mesmo recomenda que, depois de fervidos, os materiais sejam lustrados com palha de aço muito fina e envolvidos em verniz de poliuretano claro.

Preciosismo na gravação e objetos únicos

O desenho: recomenda-se fazer o esboço do desenho que se pretende gravar primeiramente num papel. Dependendo da habilidade do artesão, é possível reproduzir em seguida para a superfície gravável; para os menos versados na arte, a sugestão é colocar o papel com o desenho sobre a superfície e marcar com força, por meio de um alfinete, os pontos principais do desenho. Depois, ele deve ser marcado com um lápis macio. Se a ideia for somente pintar, a técnica é a mesma de qualquer pintura; pode ser utilizada tinta preta ou qualquer substância pigmentada que não saia com água.

À moda dos marinheiros, entretanto, é necessária a gravação por meio do entalhe. A peça a ser esculpida deve estar presa de maneira bem firme para possibilitar a aplicação de força. Com um canivete ou um furador é feito o trabalho de gravação do desenho; depois, com um pincel bem fino, é aplicada a tinta para preencher as linhas gravadas. O excesso pode ser retirado com um pano macio e a peça, depois de seca, lustrada com palha de aço.

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Data do Post: 11/08/10
Categoria(s): Mundo Freak
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