Poesia de calçada

Nem só de grafite vive a arte de rua. Em Londres, por exemplo, um espaço de rua que nem precisaria ser explorado ganhou vida literária com a reprodução de poesias. Os coalholes, que nós desconhecemos pelas bandas de cá, são as aberturas para escoamento do carvão, usado antigamente para aquecimento dos lugares. O uso inicial ficou de lado, mas sobraram as tampas desses alçapões, semelhantes às nossas tampas de bueiro, sem função até que o projeto Pavement Poetry entrou em ação.

O projeto era o seguinte: incrementar a paisagem urbana com literatura, mais precisamente poesia. Textos dos autores Margaret Drabble, Sebastian Faulks, John Heath-Stubbs, Michael Holroyd, PD James, Hugh Thomas e Colin Thubron passaram a ser gravados nas tampas dos coalholes e transformaram pedaços antes inúteis das calçadas em algo artístico o suficiente para transformar a passagem dos que os encontram.

Além de ser um trabalho de arte de rua, o Pavement Poetry foi transformado em um livro de duas partes organizado por Maria Vlotides. A primeira parte descreve o processo de transformação da ideia em arte na Avenida Nothing Hill Gate, em Londres, por meio de uma série de cartas de um jovem artista. A segunda, é formada pela reprodução das fotos dos coalholes transformados em literatura. É um livro, portanto, que reflete os interesses daqueles que gostam de arte de rua, história de Londres, literatura, design urbano e arquitetura. Foram feitas 500 cópias do livro de 96 páginas que já completa um ano de publicação. Você pode conferir mais detalhes sobre o livro no site da editora Pedestrian Publishers.

No site do projeto, você encontra mais informações e um mapa dos locais em que as coalholes foram modificadas, que também pode ser visto abaixo. Em seguida, algumas fotos das tampas. Se estiver passando por Londres, não custa olhar melhor o chão por onde anda.

“Victorians decried this street Barbaric, they said, discordant. LOOK NOW. The buildings stand the same. Mind and hearts change”.
(Colin Thubron – 2004)

” This district once boasted
a race-course & it retains
something of the dashing,
classless. devil-may-care, yes,
racy sense of the turf”.
(Hugh Thomas – 2004)

“Behold the glittering coronet of diamonds, tears and dreams”. (Margaret Drabble – 2004)

“Notting Hill that vigorous, creative & diverse London village. Beneath whose pavements the Roman legions marched westward from Londinium”.
(P.D.James – 2004)

“A word in your eye
Don’t worry or push
A step in the Gate
Is worth two in the Bush.”
(Sebastian Faulks, 2004)

[Para mais coalholes, clique aqui.]


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