
Hoje é dia de Oscar. E, ao contrário do que muitos podem pensar, a cerimônia mais famosa do cinema não se resume a filmes pipoca e dramas bem elaborados. O evento é hoje à noite e vai passar às 23 horas na TNT e na Rede Globo logo após o Big Brother Brasil, e a gente vai mostrar que tem coisa por lá que vale muito a pena.
Como cinéfilos de carteirinha, meus amigos e eu tentamos todos os anos assistir ao maior número possível de filmes indicados, o que não é nada fácil, já que parte dos filmes nem chegaram aqui no Brasil ainda. Eis que em uma dessas noites cinematográficas fomos surpreendidos pelo documentário “Exit Through the Gift Shop”.
Bem-vindo ao submundo da arte de rua. Em meio à escuridão das noites, pessoas saem de suas casas para deixar sua marca em ruas, prédios, pontes ou em qualquer outro lugar que julguem propícios a uma boa arte. Buscam formas de chamar atenção, de gritar e expressar para o mundo tudo o que sentem e pensam. E tudo isso na ilegalidade.
O documentário foi dirigido por Banksy, um dos mais conhecidos e ousados artistas de rua da atualidade – o cara é simplesmente um mestre em tudo o que faz e tudo o que se sabe dele é que é britânico -. Mas nem sempre foi assim. O filme conta a história de Thierry Guetta, um francês dono de uma loja de roupas que carregava sua câmera de vídeo para todo lado e gravava fitas e mais fitas de qualquer coisa que aparecia pela frente. Thierry conheceu seu primo, o grafiteiro Space Invader, de Los Angeles, e passou a gostar desse tipo de arte. Começou a sair com ele e conheceu alguns dos mais renomados grafiteiros do mundo. Como sempre carregava sua câmera, Guetta gravava todos os encontros e grafitadas da galera e decidiu fazer um documentário sobre o assunto.
Guetta sabia que se ele quisesse um documentário bom ele precisava conhecer Banksy a qualquer custo e fez o mundo para encontrá-lo, mas não obteve muito sucesso. Por um golpe de sorte, Banksy foi para Los Angeles, ligou para Thierry e os dois se tornaram parceiros. Thierry o levou aos melhores pontos de grafitagem em L.A. e sempre gravava todas as criações dele. O resultado disso tudo foi a exposição “Barely legal” – “Por pouco legal”, em tradução livre – que rendeu muita grana para o artista.
Após um tempo, Thierry até tentou fazer o documentário. Ele filmava, mas não era realmente um cineasta. O resultado é que o trabalho de Guetta é inassistível. Bansky, então, assumiu o posto e transformou o documentário. Enquanto isso, Banksy sugere a Thierry Guetta que tentasse encontrar a própria arte. Com o pseudônimo de “Mr. Brainwash”, Guetta realizou coisas inacreditáveis – e isso não necessariamente significa uma coisa boa -.
O documentário é um espelho de certa realidade, um reflexo que provoca e levanta diversas questões sobre arte, autenticidade e sobre o comércio dessas obras. É um documentário agitado e muito bem estruturado. E uma ótima pedida pra quem gosta de arte, principalmente para quem gosta de grafite e arte de rua. Os caras são bons e têm atitude. Se são ilegais ou não, depende de cada um. Só digo uma coisa: estou torcendo pelo filme.
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Data do Post: 27/02/11
Categoria(s): Crânio Channel
Tags: arte de rua, Banksy, documentário, grafite, Mr. Brainwash, Oscar
Publicado por:
Publicitário, designer gráfico, ilustrador, web designer, cineasta por opção, nerd e conhecedor profundo do universo e assuntos afins. xD
11/05/2012 at 10:01 AM
[...] essa altura do campeonato, Banksy é tão conhecido e reverenciado que ter uma parede grafitada por ele seria considerado um [...]