Se você não é familiarizado com a literatura inglesa do século 19, talvez não tenha ligado de cara o nome à coisa. A referência é ao clássico romance da escritora britânica Jane Austen chamado “Orgulho e Preconceito” (Pride and Prejudice), publicado em 1813. Do que se trata realmente é uma questão bem pós-moderna, mas não vamos entrar no mérito.
A onda é o mashup – ou a paródia, não é mesmo? –, uma técnica que revive os clássicos de forma, er…, inusitada. O norte-americano Seth Grahame-Smith, responsável por essa história de que falo hoje, foi quem pegou a obra de Austen e transformou-a no mais sanguinolento e afiado romance de costumes zumbis de que se tem notícias.

Usando 85% do texto original, Grahame-Smith incrementou a história: a personagem principal continua sendo a jovem Elizabeth Bennet, mas dessa vez ela não está envolvida somente na luta de sutilezas sociais que a veem meramente como um produto a ser arrebatado por um marido rico: ela precisa lutar contra a ameaça zumbi que desossa a Inglaterra.
Em vez de ser versada nas artes de ser uma boa esposa, ela e as cinco irmãs são treinadas nos rigores das artes marciais e travam lutas sanguinolentas nas linhas do livro. A Intrínseca, editora responsável pela publicação em português da obra, é quem diz: “Além dos embates civilizados e repletos de cortesia entre o casal de protagonistas, inclui batalhas violentas, em confrontos cheios de sangue e ossos quebrados. Conjugando amor, emoção e lutas de espada com canibalismo e milhares de cadáveres em decomposição, ‘Orgulho e preconceito e zumbis’ transforma uma obra-prima da literatura mundial em outra história que você realmente terá vontade de ler”.

Se você terá vontade de ler eu não sei, mas confesse que a ideia é no mínimo curiosa. Lev Grossman, crítico da Time, fez uma colocação muito boa: “Has there ever been a work of literature that couldn’t be improved by adding zombies? (Já houve alguma obra literária que não pudesse ser melhorada acrescentando-se zumbis?)”. Grossman, além da ótima gracinha, fez uma entrevista legal com Grahame-Smith que você pode ler aqui. O autor já adaptou outras obras, como “Razão e Sensibilidade e Monstros Marinhos”, também de Jane Austen, e escreveu “Abraham Lincoln: O caçador de vampiros”, em que defende veementemente que o presidente dos EUA lutou contra os chupadores de sangue.
Veja um trecho de “Orgulho e preconceito e zumbis”:
“Alguns poucos convidados, que desafortunadamente estavam muito perto das janelas, foram agarrados e imediatamente devorados. Quando Elizabeth se pôs de pé, de pronto percebeu que a Sra. Long lutava para se livrar das mandíbulas de duas pavorosas fêmeas que haviam se aferrado à cabeça dela, partindo seu crânio como se fora uma noz, o que projetou um esguicho de sangue escuro para o alto que chegou a atingir os candelabros”.
E você, que obra consagrada transformaria em um clássico trash?
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Data do Post: 26/06/10
Categoria(s): Mitologia
Tags: Femininas, Jane Austen, literatura, Orgulho e preconceito, Seth Grahame-Smith, zumbi
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26/06/2010 at 4:40 PM
Hahaha… paródias literárias rox.
Aí vão minhas sugestões:
- As Bruxas de Avalon
- O Apanhador no Campo Minado
- Alice no País das Vuvuzelas
26/06/2010 at 5:21 PM
olha, muito na pira pra ler esse livro
eaeauhueahuea
achei muito foda a idéia.
O texto tá perfeito.
xD
26/06/2010 at 8:10 PM
[...] This post was mentioned on Twitter by Allan Monfer, Tiago Aramayo. Tiago Aramayo said: Lido e comentado. RT: @julliane Post novo na @cranio: Orgulho e Preconceito e Zumbis – http://bit.ly/ckKTIh [...]