O papel timbrado já foi mais legal

01/02/12

A não ser que liberassem a comunicação do além para a Terra de uma forma bem tradicional, nunca receberíamos cartas de Andy Warhol, Ray Charles ou Albert Einstein. Só que podemos agora saber como era o visual das correspondências de algumas figuraças como eles, ou seja, o papel timbrado de Johnny Cash ou de David Bowie.

Da parte ainda viva do grupo, espero também não receber mensagem. Afinal, quem gostaria de ganhar um comunicado de Charles Manson que levasse no papel uma reprodução do olhar tresloucado do assassino?

Ok, eu sei que vocês gostariam.

Designers, inspirem-se e façam papéis timbrados mais legais.

Charles Manson é isso aí: uma figura aterrorizante até na hora de mandar uma cartinha lá de seu endereço fixo, a Prisão Estadual de Corcoran, na Califórnia. A sigla na base do papel, ATWA, significa Air, Trees, Water e Animals, e representa o grupo de proteção à natureza liderado por ele (?).

Andy Warhol foi artístico na medida: usando só tipografia e tons suaves de azul e verde, fez o timbrado mais estiloso da lista. Menos pop que o esperado e uma referência e tanto de como fugir dos padrões.

O papel de carta de Ray Charles dispensa comentários. Sério. Ele ainda o utilizava em 1990 – e poderia ter usado até o fim da vida, em 2004, que seria ótimo -.

O bigode do comediante Groucho Marx tornou-se icônico em suas aparições cinematográficas e ficou ótimo no topo da papelaria feita em 1943.

A família Marx era de uma comédia só. O irmão Harpo Duer só não foi tão modesto quanto Groucho. Em seu timbrado supercarregado, duas fotos dele com as legendas “Mr. Marx em casa” e “Mr. Marx sendo engraçado”, além de citações enaltecendo suas qualidades. Mal cabe a correspondência ali…

Nikola Tesla foi um inventor sérvio e, parece, tinha uma boa equipe de comunicação. Porque, convenhamos, ficou muito legal o timbrado com algumas de suas principais invenções no topo, como o motor de indução, o transformador de oscilação e o barco com controle remoto. No centro, a Torre Wardenclyffe ou Torre Tesla, uma torre para telecomunicação wireless de 1901 (!).

Albert Einstein se basta, ok? Minimalismo e objetividade são até conceitos demais para descrever o material. As outras palavras, “Caputh bei Potsdam”, são a cidade alemã na qual Einstein viveu de 1929 a 1932.

Leonard Cohen também economizou. E em 1959 mandava correspondências com o sobrenome escrito à mão no topo da página.

Johnny Cash, ou ao menos o escritório dele, manteve o papel de bad boy do country vivo no papel carta com a imagem de uma escrivaninha, um violão e um alvo com três buracos de bala.

O criador de Batman, Bob Kane, capturou a aura sessentista dos personagens para ilustrar as cartas que mandava.

Frank Zappa usou a tipografia que virou quase marca ao escrever o nome do cantor por aí.

Uma fã sortuda recebeu uma carta de David Bowie em 1974 e mostrou a tipografia gorducha do nome do astro glam.

As anteriores são legais e possuem sempre uma justificativa plausível, mas podemos eleger a mais feia? Os informes da Igreja de Cientologia da Califórnia, em 1976, eram mandados nessa coisa azul aí de cima com um espacinho em branco onde era realmente possível escrever alguma coisa.

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