Continuamos a jornada que vai desvendar – ou ao menos explorar um pouco mais – os ilustradores que fazem das peitas da Crânio um saco de ossos tão peculiar. O escolhido da vez foi Bernardo Siqueira Henrique de Faria, que nós economicamente chamaremos pelos primeiro e último nomes. Bernardo Faria é de Londrina, proprietário de um escritório de design e professor na Unopar. Por vezes, deixa essas atividades de lado para, por exemplo, desossar gorilas; ou para organizar batalhas épicas em que, no lugar de espadas, os lutadores manipulam lápis – ou mouse – e papel – ou tela –.

“Designer meticuloso” e “professor exigente” foram os termos que ele mesmo escolheu para definir-se, e não há melhor forma de iniciar uma aproximação do que um quadro verbal pintado pelo próprio autor. Conversamos com Bernardo para saber um pouco mais o que isso quer dizer.
- De que forma acontece o processo do desenho para você?
Bernardo – O início do projeto é o mais importante no meu método de trabalho. Estudar referências visuais, conceituais e técnicas direcionam todos os processos a seguir. Quanto mais tempo dedico no começo, mais rápidas e eficientes são as etapas seguintes. Começo o desenho de uma ilustração no papel, ou no computador usando uma tablet. Não me preocupo muito com a qualidade técnica nestes primeiros esboços, o que busco é aprimorar as ideias e a composição. Gosto de desenhar com uma xícara de café expresso sem açúcar ao lado. Só consigo fazer isso, não ouço campainha, não converso e perco noção de tempo.

- O que acha da camiseta enquanto suporte do desenho (e da ideia por trás da ilustração)?
Bernardo – Gosto muito de trabalhar com desenho para estampa, e minha maior pira é testar os limites técnicos do meio (retículas, espessuras, sobreposição de cores). O mais interessante da ilustração para camisetas é pensar que sua ideia vai ser usada por outra pessoa como expressão de personalidade.

- Sobre o Guerra de Ilustrações, como surgiu a ideia e a que resultados já levou?
Bernardo – A Guerra de Ilustrações é um projeto que surgiu no escritório Brtipo design, de que sou proprietário e designer coordenador. Estávamos de saco cheio de ouvir que Londrina – cidade onde moro – era foda para trabalhar, que o mercado é ruim e nada acontecia. Juntamos a galera: convidamos outros escritórios de design e de ilustração, estudantes de design gráfico e artes visuais. A proposta consistia, e consiste, em desenvolver ilustrações sobre um tema específico – no caso deste primeiro: “piratas” – e nos encontrarmos no último sábado do mês para mostrarmos uns aos outros o que desenvolvemos. O clima é tenso, e cheio de expectativas. Foi muito legal o primeiro encontro, foram mais pessoas do que imaginávamos. O que deu gás para continuarmos com o projeto.
Os resultados são:
- O projeto já tem 11 meses de vida;
- Tem site, onde é possível ter acesso a tudo o que já foi produzido;
- Fizemos uma exposição coletiva, com os trabalhas desenvolvidos até a 8ª Batalha, no Museu de Arte de Londrina – o mais importante da cidade –;
- Tivemos mídia espontânea em rádios, jornais, sites especializados e canais de televisão – a abertura foi ao vivo na Globo Estadual –.
- Produzimos produtos para o evento: catálogo, caneca e buttons.
- A abertura da exposição bateu o recorde de público do Museu – rolou dança tribal e show com a banda Bacalhau Samba Rock Club –.
- A exposição foi visitada por mais de 1.300 pessoas. Seu encerramento foi prorrogado duas vezes, em razão do sucesso e da demanda.
- Estamos indo para a 10ª Batalha, que acontece no final deste mês (setembro de 2010).
- Mês que vem teremos produção de webvídeos sobre o projeto.

- O que você recomendaria a alguém que se interessa por ilustração e design? Que pontos devem ser aprimorados?
Bernardo – Trabalhe. Trabalho.
- Quais são suas inspirações e o que – e quem – tem visto por aí atualmente em termos de design?
Bernardo – Minhas inspirações vêm da feira livre que rola aqui em frente do escritório às quintas, de tipografia, de grids, de proporções, música que nunca ouvi, churrascos e livros. Atualmente vejo muitos designers autorais – que acho massa – mas o que pago pau mesmo são para os caras que fazem de uma situação problemática um design eficiente, integrado e objetivo.

- Como funciona a visão raio-X de um ilustrador da Crânio para chegar às caveiras da marca?
Bernardo – Meu escritório é de frente para um cemitério. Meu hobby é violar túmulos.
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Data do Post: 01/10/10
Categoria(s): Malditos
Tags: Bernardo Faria, camiseta, Guerra de Ilustrações, Ilustração
Publicado por:
19/12/2011 at 11:25 AM
[...] Brian Jones by BR Tipo [...]
12/02/2012 at 2:24 PM
[...] Brian Jones by BR Tipo [...]