A frase é pop porque é pop ser a bad girl. E a coisa não é recente. Não é possível dizer que o Brasil seja precursor de algo do gênero, mas é inegável que teve um pé por lá. Nossa Pequena Notável – que, na verdade, é luso-brasileira, por ter nascido em Portugal – foi uma das primeiras estrelas a encarar um mundo não tão glamouroso que envolvia toda sorte de dependências.
Primeiro veio a vontade de ser famosa. E para isso sobrava talento. Logo virou a cantora mais bem paga do Brasil; em 1946, a artista mais bem paga de Hollywood. Uma agenda cansativa pedia estimulantes; a vida agitada, calmantes. O marido, violento e alcoólatra, ofereceu-lhe a bebida e a depressão. Tudo regado a muito cigarro.
A morte, aos 46 anos, veio de um coração cansado: um colapso cardíaco fulminante em Beverly Hills, no ano de 1955. A caveira por baixo das frutas era fraca, mas idolatrada. Meio milhão de pessoas acompanhou o cortejo fúnebre da Pequena Notável no Rio de Janeiro.
A tradição continuaria.
Se eu disser ‘Norma Jeane Baker’ não tem glamour, não tem intensidade, não tem nem lembrança. Se eu disser só Marilyn, entretanto, a coisa toda muda. Nascida Norma Jeane, morena e pobre, Marilyn viveu os primeiros anos da vida em orfanatos e casas de família. Foi descoberta por um fotógrafo mais tarde, aos 23 anos, quando trabalhava numa fábrica. Descoloriu os cabelos e virou um mito.
Foi casada três vezes, e dois dos casamentos terminaram por Marilyn ter que escolher entre a carreira em Hollywood ou os maridos. A vida foi turbulenta desde o início. Se hoje as estrelas reclamam de paparazzis, ela reclamava de ser tratada como uma coisa, um objeto, uma “máquina de dinheiro”. Muitos dizem que a garota não tinha estrutura psicológica para ser um mito: por isso tornou-se dependente de remédios e morreu de forma suspeita.
Ela foi encontrada morta em seu quarto no dia 4 de agosto de 1962, com 36 anos. Ao lado dela, um frasco de remédio para dormir. A overdose – intencional ou acidental – é certa. Outros boatos vêm do fato de ela ter se envolvido com o presidente John Kennedy, o que teria feito com que ela se tornasse uma ameaça à segurança dos EUA e fosse discretamente silenciada. O que quer que seja restou ruído diante da musa.
Ok, recapitulando.
Para se tornar uma junkie girl, é preciso algum talento, uma tendência irresistível para se envolver com os caras errados e dar sorte de ser a escolhida da vez para se tornar mito. Além disso, é preciso um grau elevado de fraqueza, uma capacidade limitada de lidar com a fama, mas ainda manter uma aura generosa para exercer fascínio.
A cartilha junkie: beba muito, vá louca a um show e cante de forma incompreensível
Seguindo a cartilha a risca, Amy Winehouse não fez feio – apesar de isso depender do ponto de vista –. Certamente ela tem algum talento – “Rehab”, o mais importante single de seu segundo álbum, foi eleita a música mais influente da década 2000-2010 –. O cara errado com quem se casou e de quem já se separou está preso. Com apenas dois álbuns e um cabelo meio estranho, tornou-se incomparável: o timbre único, as influências de jazz e soul, a vida desregrada.
Com as fraquezas, nem é preciso tripudiar. Foi internada várias vezes, bateu em fãs, se apresentou bêbada e chapada. Passou uma temporada no Hawaii para a reabilitação, teve músicas novas recusadas pelos produtores, voltou para casa, colocou silicones (oi?) e arrumou um namorado engomadinho. Bom, ainda não foi encontrada morta ou teve um colapso. Mas é bom que aguardemos as próximas cenas.
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Data do Post: 17/06/10
Categoria(s): Peitas, Toca do Caveira
Tags: Amy Winehouse, bad girl, Carmen Miranda, Hollywood, junkie girl, marilyn monroe
Publicado por:
17/06/2010 at 10:55 PM
[...] This post was mentioned on Twitter by Crânio, Rodrigo Gonzatto. Rodrigo Gonzatto said: RT @cranio: Good girls gone bad ou por que amamos as junkie girls – http://migre.me/PNaq #girlpower [...]
18/06/2010 at 8:29 PM
Materia mto bem escrita, adorei…
Parabens!
21/06/2010 at 7:09 AM
Valeu Nanda! A Julliane manda muito bem!
19/06/2010 at 9:01 AM
Ja tem pra vender a da carmen? Vou comprar! =D
21/06/2010 at 7:08 AM
Oi Sana, tem sim. Veja la na loja:
http://www.craniostore.com/carmen-miranda.html
19/06/2010 at 9:44 PM
A questão das junkie-girls é tão forte, que se pode até falar de uma estética junky, ou seja, a glamourização das drogas http://www.blogpaedia.com.br/2010/03/quem-e-quem-…