O primeiro a ser levado pela Morte é também um ícone acostumado a ser primeiro em vida. Ele não inventou o blues, mas fez com que ele se tornasse o que passou a mover o mundo da música depois: o rock.
E foi por pouco: não por pouca qualidade, mas por pouco tempo. Não foram só os 27 anos, foram somente 29 gravações que o consagraram para sempre.
Só que há algo que ninguém sabia até hoje. Robert Johnson não só foi um dos amaldiçoados, ele premeditou toda a Maldição.
Foi isso que o mais importante cantor de blues que já pisou a Terra contou ao Caveira. Vai duvidar?

Caveira - Com todo respeito, Sr. Johnson, eu gostaria de começar nossa conversa dizendo o quanto admiro o trabalho do senhor. Sou um grande fã de sua contribuição para o blues e, mais tarde, para o rock.
Robert Johnson - Minha contribuição? Bom, eu sempre soube que era bom, mas não sabia que ia durar tanto [risos]. Afinal, já têm quantos anos minhas gravações? Uns 75 anos, boy! Eu nem consegui acreditar quando vieram com essa história de revogar a maldição. Aliás, consegui, né, ele bem que me disse…
Caveira - Ele quem?
Robert Johnson - Bom, já que é meu fã, deve saber. Aquele que eu encontrei na encruzilhada…
Caveira - Ah, claro, era minha pergunta seguinte. Como foi esse pacto com o tinhoso?
Robert Johnson - Olha, foi isso tudo que dizem mesmo. Eu estava lá, pedindo aos céus – ou aos infernos – por uma solução para minha música e ele se ofereceu para afinar meu violão. É claro que é um pouco menos glamouroso do que todo mundo diz. O danado não é tão sedutor assim, mas qualquer proposta de sucesso eterno já é sedutora o bastante para convencer um cara que já está disposto até a fazer pacto com o tal.
Caveira - Certo. Quanto às circunstâncias de sua morte. Tudo começou com o tal whisky envenenado. Aliás, a dúvida mesmo é: se Sonny Boy Williamson lhe avisou sobre o whisky, por que você não deu ouvidos a ele?
Robert Johnson - Porque eu já sabia, ué. Qualquer um que faça um pacto com o Cramulhão já sabe. Isso é algo que não contam. Todo mundo sabe que a troca é a alma, mas, no momento em que você aceita o pacto, já sabe como vai acontecer também. Por isso tantos enlouquecem. As pessoas não sabem lidar com a certeza, com os detalhes da morte. Vou te contar um segredinho: eu ia me acabar de qualquer forma. Não fosse pelas mãos do capeta, seria só pelas da Morte. Ela conversou comigo sobre a tão falada Maldição. Nós meio que decidimos juntos, sabe?
Caveira - Nossa, essa é uma revelação! E o que vocês pretendiam com essa Maldição? Por que aos 27 anos?
Robert Johnson - Veja bem, não é o mesmo motivo do pacto com o Demônio? Pense comigo: eu seria o primeiro a morrer e todos pensariam que a culpa era do Capeta. Depois, ao longo dos anos, outros tão talentosos quanto eu, outros que até citariam meu nome e meu blues, também seriam levados, com a mesma idade. Está vendo a história aí? Uma conspiração! Uma trama que dissesse: só os bons são levados aos 27. Eu seria imortal! Pelo visto deu certo [risos]. Os 27 foram meio ao acaso… Eu tinha uma doença aí e a Morte me confidenciou que essa idade seria fatal para mim. Então 27 seria. Fizemos o pacto mais bem-sucedido da história! Eu bem cantei para a Morte: “Now, little girl, since I am the king, baby, and you is a queen, let’s us put our heads together and we can make our money green”. Ela era minha “Queen of Spades”!
Caveira - Bastante elaborado. Mas mesmo assim suas músicas não passavam uma ideia completamente feliz sobre você ou sua vida. Se vocês tinham tanta certeza de que o plano daria certo, por que o blues?
Robert Johnson - Bom, você poderia me perguntar: “Por que um homem faz todas essas coisas, se esforça tanto?”. Não é só sucesso, né? Por que um homem perde a cabeça? Por que mete os pés pelas mãos? É tudo culpa delas. Essas mulheres, com todo aquele mojo, são elas a razão de o blues existir. E vai ser sempre assim, com o que vier depois do blues. Elas são culpadas. Você acha que se meu amor não tivesse sido em vão eu ia querer morrer aos 27? Eu precisaria ser imortal para me satisfazer? Eu até já sussurrei por aí: “I can’t get no satisfection”. Sim, fui eu. Sim, foi tudo por isso. Eu destratei minha garota e tive que fazer um pacto com o Demônio e com a Morte, mover terras e céus, para provar que eu faria tudo por ela, que eu seria imortal por ela, só para ter mais um dia para pedir perdão. Boy, a culpa é sempre delas!
Crânio - Uau. São revelações e tanto. Vou pedir só mais uma, então, se for possível. A Maldição acabou? Aliás, Amy Winehouse foi a última?
Robert Johnson - Amy, Amy… Boa garota, tão triste como todos os outros que escolhemos a dedo para deixar a tristeza aos 27. Ela nem estava nos planos, mas foi um bem que resolvemos, eu e a Morte, fazer. Ela merecia. Bom, por aí você já pode dizer se haverá mais amaldiçoados ou não… O blues dirá, Caveira, só o blues dirá. Até lá, novidade mesmo só a revogação mesmo. Ideia sensacional, hein?
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Data do Post: 29/11/11
Categoria(s): Toca do Caveira
Tags: camiseta, caveira, entrevista, exclusiva, maldição dos 27, Robert Johnson
Publicado por:
12/12/2011 at 1:05 AM
essa fikou foda, desenho perfeito!!
Parabens a galera da cranio
grande abraço