Literatura
Orgulho e preconceito e zumbis
26/06/10
Se você não é familiarizado com a literatura inglesa do século 19, talvez não tenha ligado de cara o nome à coisa. A referência é ao clássico romance da escritora britânica Jane Austen chamado “Orgulho e Preconceito” (Pride and Prejudice), publicado em 1813. Do que se trata realmente é uma questão bem pós-moderna, mas não vamos entrar no mérito.
A onda é o mashup – ou a paródia, não é mesmo? –, uma técnica que revive os clássicos de forma, er…, inusitada. O norte-americano Seth Grahame-Smith, responsável por essa história de que falo hoje, foi quem pegou a obra de Austen e transformou-a no mais sanguinolento e afiado romance de costumes zumbis de que se tem notícias.
Capa do livro de Jane Austen e coautoria de Seth Grahame-Smith; asperezas da sociedade e comedores de cérebro
Usando 85% do texto original, Grahame-Smith incrementou a história: a personagem principal continua sendo a jovem Elizabeth Bennet, mas dessa vez ela não está envolvida somente na luta de sutilezas sociais que a veem meramente como um produto a ser arrebatado por um marido rico: ela precisa lutar contra a ameaça zumbi que desossa a Inglaterra.
Em vez de ser versada nas artes de ser uma boa esposa, ela e as cinco irmãs são treinadas nos rigores das artes marciais e travam lutas sanguinolentas nas linhas do livro. A Intrínseca, editora responsável pela publicação em português da obra, é quem diz: “Além dos embates civilizados e repletos de cortesia entre o casal de protagonistas, inclui batalhas violentas, em confrontos cheios de sangue e ossos quebrados. Conjugando amor, emoção e lutas de espada com canibalismo e milhares de cadáveres em decomposição, ‘Orgulho e preconceito e zumbis’ transforma uma obra-prima da literatura mundial em outra história que você realmente terá vontade de ler”.
As irmãs Bennet e a carnificina zumbi: as ilustrações do livro são de Philip Smiley
Se você terá vontade de ler eu não sei, mas confesse que a ideia é no mínimo curiosa. Lev Grossman, crítico da Time, fez uma colocação muito boa: “Has there ever been a work of literature that couldn’t be improved by adding zombies? (Já houve alguma obra literária que não pudesse ser melhorada acrescentando-se zumbis?)”. Grossman, além da ótima gracinha, fez uma entrevista legal com Grahame-Smith que você pode ler aqui. O autor já adaptou outras obras, como “Razão e Sensibilidade e Monstros Marinhos”, também de Jane Austen, e escreveu “Abraham Lincoln: O caçador de vampiros”, em que defende veementemente que o presidente dos EUA lutou contra os chupadores de sangue.
Veja um trecho de “Orgulho e preconceito e zumbis”:
“Alguns poucos convidados, que desafortunadamente estavam muito perto das janelas, foram agarrados e imediatamente devorados. Quando Elizabeth se pôs de pé, de pronto percebeu que a Sra. Long lutava para se livrar das mandíbulas de duas pavorosas fêmeas que haviam se aferrado à cabeça dela, partindo seu crânio como se fora uma noz, o que projetou um esguicho de sangue escuro para o alto que chegou a atingir os candelabros”.
E você, que obra consagrada transformaria em um clássico trash?
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Licantropia By Dummies
05/11/09
Apresentamos aqui o guia prático Licantropia BY Dummies pra quem não é lobisomem. Saiba identificar um homem-lobo antes que ele se tran…. sssshhhwwwuaaarrrrghhhh…sforme e arf, arf, arf, AUUUUOOOOOOUUUOOOOUUUU!
Ao andar sozinho e sentir que alguém está te seguindo, puxe o relógio e olhe pro céu. Se não for passado da meia-noite, tampouco esteja sob a lua cheia, deve ser só o Jack.
Se algum ente estranho e peludo te encontrar no meio da noite, antes de atirar balas de prata no peito dele certifique-se de que não se trata de um encontro com o Tony Ramos.
Se você acordar no meio da noite diante de um ser estranho e peludo, só enfie uma estaca de prata depois de ter certeza de que não está dormindo com a Claudia Ohana.
Ao levar uma mordida como esta, comece a ficar atento: elas são típicas de um verdadeiro lobisomem.
Cuidado com as pessoas que coçam suas orelhas com os pés.
Peça se o possível lobisomem tem sete irmãs virgens mais velhas. As lendas dizem que o oitavo filho sempre se torna a fera. Se não tiver, aproveite.
Uivos sinalizam a presença destes amaldiçoados monstros. Se encontrar pessoas uivando para a lua, e elas estiverem acompanhadas de vampiros, fique tranquilo. Vampiros não existem. Deve ser apenas uma sessão de Live-action.
Porém, nem todo lobo é um licantropo transformado. Na dúvida ao cruzar um, mete uma bala de prata no bicho. Se for um lobisomem, puxa ele pra dentro da sua casa e diz pra polícia que ele invadiu. Se for só um lobo você tá lascado, pois matar um animal silvestre é crime inafiançável.
Se encontrar uma pessoa tentando morder a própria nádega, desconfie. Em público, esse comportamento não é muito bem aceito em alguns lugares.
Caso você esteja acordando com penas na boca, encontra com frequência ossos embaixo da sua cama, e suas camisetas estão sempre rasgadas, é melhor tomar cuidado pois o lobisomem é você.
Se você tem alguma informação que possa aumentar a compreensão sobre o comportamento destes animais, comente abaixo ajude a escrever o Licantropia By Dummies
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40 anos sem Jack Kerouac
23/10/09
Através da sua obra, Jack Kerouac (1922-1969) fundamentou o imaginário beatnik, descrevendo a América que Hollywood não mostrava. O ideal de felicidade do american way of life não era bem visto pelos olhos da geração Beat. Assim, ao som do jazz e do vento das estradas, vários beatniks percorreram os EUA (e o mundo) buscando experimentar tudo que a vida podia oferecer.
Em homenagem aos 40 anos da morte do escritor, compartilhamos “Quatro décadas sem Jack Kerouac” um belo artigo de Silvio Demétrio, publicado no caderno Biss da Gazeta do Paraná: “Foi pelos corredores de Columbia que o escritor foi apresentado ao poeta Allen Ginsberg, que mais tarde lhe introduziria ao círculo dos santos que iriam cantar o desencanto com o american way of life: William Burroughs, Gary Snyder, Gregory Corso, Lawrence Ferlingheti e, sobretudo, Neal Cassidy…” [Continue lendo]



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