Ilustradores Malditos
Ilustradores Malditos: Niark1
01/09/10
Deveria ser proibido que pessoas que moram em Paris fossem talentosas. Se já foram muito bem pagos pela vida geograficamente, o que mais eles queriam? Entretanto, já conhecedores das injustiças da vida – e resignados com elas –, o que melhor podemos fazer é aproveitar o que elas nos trazem de bom.
Uma dessas injustiças muito boas atende pelo nickname de Niark1 e pelo nome Sebastian Feraut, um designer gráfico e ilustrador francês impressionante e dono de um grafite moderno de explodir a mente.
Cores vivas, padrões geométricos, simetria e personagens de aparência surreal. Os desenhos de Niark1 são construções de muitas partes bem encaixadas e, depois de conhecê-los, você vai identificá-los em qualquer lugar. As obras têm a tal da identidade, pleiteada por muitos designers, mas difícil de conseguir. Ou seja, Niark1 tem um traço inconfundível.

Em entrevista ao site da West Berlin Gallery, Seb – como ele também gosta de ser chamado – falou sobre inspiração. “Eu tenho muitas fontes de inspiração. Vivendo em Paris tenho várias oportunidades de ver exposições em galerias e museus. Isso permite que eu conheça o trabalho dos outros e isso me motiva. É claro que a Internet é a mais importante fonte de inspiração para mim durante o tempo que eu passo no atrás da tela do computador. Além disso, eu encontro várias coisas legais em livros de arte, arte de rua, revistas, filmes, videoclipes, documentários, etc. Música também tem um grande papel na minha vida e certamente é uma grande fonte de inspiração”.

O designer não segue um processo de criação específico; ele diz que não existe só uma boa maneira de fazer arte, e comenta o estilo de suas obras. “Para alguns, eu tenho mudado meu estilo, tentando criar composições com formas simples, mas complexos em suas junções. Eu estou bastante inspirados por logos e ilustrações de vetor. Gosto do potencial impacto das formas simples e das escolhas de cores limitadas. É claro que algumas vezes trabalho com texturas, principalmente em pinturas. As cores tem um papel importante nas minhas obras e são um elemento essencial na maioria do meu trabalho. Gasto muito tempo para encontrar a combinação de cor certa ainda que o preto seja uma das predominantes”.
Ele ainda fala sobre os monstros que estão em várias de suas composições; para ele, eles são representações do que está dentro de nós mesmos – tipo caveiras, sabe? –. “Ainda que sejam coisas realmente sombrias, vícios, ou a loucura que há em nós e em nossos pensamentos, aquilo que se quer esconder, eles não são realmente perigosos porque são só representações pictóricas, mas eu não posso dizer o mesmo da raça humana. Mas isso é só uma mensagem estúpida tipo ‘este é o fim’ que eu gosto de passar nos meus trabalhos”.

Niark1 faz vários tipos de trabalho para publicidade, revistas, moda, etc. Aguardem novidades por aqui também.
Para conhecer mais do trabalho de Sebastian Feraut: @niark1, blogue, flicker, site.

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Ilustradores Malditos: Sassá
02/08/10
Poderíamos dizer que ele está numa empreitada artístico-maníaca. Ele quem, você pergunta? E eu digo: o desenhista atípico das camisetas mais nervosas da Crânio.
Nervosas ou nem?
O negócio é que desenhista é só uma faceta do artista. Sassá é músico, chargista, cartunista, graffiteiro, fanzineiro, tatuador e jogador de videogame, porque não há santo que não se canse. Desde os seis anos, ele tem contato com caneta e papel e não se lembra de ter parado alguma vez. Para alimentar mais a inveja dos que derretem num terno-e-gravata extenuantes, Sassá diz que desenho, música e arte são um trabalho, mas, principalmente, um prazer e a razão dele de viver.
Do braço londrinense da fábrica de camisetas de ossos, ele ainda tem uma banda, a Trilöbit, que ele chama de Eletro Rock Pós-doutorado; um trabalho de mashups, Brutal Redneck; e ganha concursos em sites gringos: levou duas no Shirt Fight, a The Knights who plays Nii, inspirada em Monty Phyton, e Rats live on no evil star, um palíndromo transportado para desenho; no Teefury, as vencedoras foram Self Punishment e Lion Dog.
Na música, os mais bizarros mashups caracterizam o som alquímico de Sassá. Onde mais você ouviria pérolas como a junção de Nirvana e Furacão 2000; Beatles e Bonde do Tigrão; Black Sabbath, Sydney Magal e Larry (Rn’r Racing)?
Ele, que não pode dizer o nome completo por questões “psicopáticas”, aceitou conceder uma entrevista ao blogue da Crânio para que conhecêssemos um pouco mais sobre o “caipira bruto”, “artista de oito braços” que assina algumas caveiras de vestir. Quando em dúvida, procurem por Sassá ou Brutal Redneck. A todos, ele deixa “beijos na alma”.
Não vire esta imagem. Nunca
CRÂNIO – A primeira dúvida de meros mortais é: como você consegue fazer tudo isso ao mesmo tempo e, principalmente, manter a qualidade disso tudo?
SASSÁ – Escolhi na vida um caminho onde o trabalho deveria estar bem próximo da diversão e da satisfação pessoal. Tudo o que eu faço profissionalmente eu faço com prazer. Acho que essa é a grande fonte de energia pra mim.
CRÂNIO – Por trabalhar com diversas formas expressivas, é possível concluir que você tem muito a mostrar. Como você colocaria em palavras o seu impulso criativo? O que você quer dizer com tudo isso afinal?
SASSÁ – Acho que me expresso melhor por desenhos, hehehe. Todos nós temos mitologias pessoais e demônios internos que precisamos expurgar, seja de modo verbal, sonoro, visual, etc. Eu misturo tudo o que eu gosto e que é verdade pra mim nos meus trabalhos. Cultura pop, rock n’ roll, HQ, arte oriental, desenhos animados, videogame, hot rods, caveiras, tattoos… Além disso, gosto de conferir minha própria evolução, desenho após desenho, mixagem após mixagem, dia após dia.
Fred Burger
CRÂNIO – Que seus desenhos podem ser considerados “nervosos”, só de olhar já é possível saber, mas de que outra forma você definiria o traço característico de suas obras?
SASSÁ – Acho que a característica principal seria o traço “lisinho” a la Mauricio de Sousa (risos), mas com temáticas adultas e/ou agressivas.
CRÂNIO – Para quem é feita sua música, ou melhor, qual o perfil de quem a escuta e para quem você indicaria a audição?
SASSÁ – A técnica que uso se chama mashup e consiste em mixar duas ou mais músicas já existentes gerando uma totalmente nova e inusitada. Eu sempre fiz isso por prazer e pela graça da coisa. É engraçado escutar a Madonna cantando numa melodia do Dire Straits, por exemplo. Vira um jogo de adivinhações. Um dia conheci por acaso numa balada que toquei em São Paulo o casal que criou o Mashup e achei legal saber que já existia um público pra isso. O público do mashup tem que ter a cabeça aberta. Não funciona para pessoas que gostam de apenas um estilo musical. Na verdade, essas pessoas odeiam mashups, pois arruinamos as canções preferidas delas. hehehe. Na minha banda Trilöbit temos essa tendência de misturar, mas o som é mais centrado no rock. Não tem sertanejo universitário? Nós fazemos Eletro Rock Pós-doutorado, hahaha.
Traço lisinho a la Mauricio de Sousa; intenções nem um pouco Turma da Mônica
CRÂNIO – De onde surgem as pérolas do Brutal Redneck?
SASSÁ – É tudo uma questão de paciência e tentativa e erro até que você encontra dois sons e diz: ‘Cara! Olha o que virou isso!’ hahaha. Acho que uma característica de um bom mashup é quando uma das músicas tira o clima da outra. Eu fiz, por exemplo, uma mistura da música Creep, do Radiohead, com La bamba, do Los Lobos. O vocal de uma canção soturna ficou todo alegrinho e serelepe na melodia da outra.
CRÂNIO – O que você está vendo por aí atualmente?
SASSÁ – Eu estou sempre vendo os links da galera nas redes sociais. As coisas novas e boas (mas também as ruins) aparecem por ali. Site eu posso recomendar o Desafiando, que tem uns games online de sinuca, gamão, chapinha e futebol de botão muito bacanas. Também gosto do Isso é bizarro, mas já aviso que não é pra qualquer um… [Nota da Crânio: só clique no link anterior se for maior de 18 anos e tiver estômago forte.] Músicas que ando escutando muito são os mashups da galera daqui e da gringa: João Brasil, Faroff, André Paste, Leo Justi, Lucio K, A plus D, DJ Schmolli, Caballo and the Mothafu Kings. Muita gente boa. Desenhistas eu gosto muito do Sergio Aragonés, criador do Groo. Também gosto de Adam Hughes, Greg Capullo, Marc Silvestri. Gosto dos brasileiros que sempre estão por aí participando e ganhando prêmios em sites de arte e de estampas aqui e na gringa. Draco, Rusc, Lucas Alcantara, Nanda Corrêa e muitos outros.
Um rascunho tenso
CRÂNIO – Por último, gostaria de saber mais sobre o funcionamento de sua visão raio X: como você transforma pessoas em caveiras para as camisetas da Crânio?
SASSÁ – Primeiro faço uma caricatura bem bonita da pessoa e depois ralo a face do papel na calçada até ficar só na carne viva. Deixo um dia de molho numa solução de soda e água oxigenada e voilá!
Mensagem dada
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Ilustradores Malditos: Matthew Skiff
05/07/10
Ele se descreve no Twitter como ilustrador, designer e perdedor, mas quem vai se sentir perdedor é você quando souber que, em comparação a Matthew Skiff, não desenha nada (e aqui eu falo com meros mortais, é claro).
Skiff nasceu no Colorado (EUA), tem 24 anos e é um camaleão do desenho. Basta ver as variações de estilo – todas feitas com muita propriedade – e os diversos motivos de suas produções. Ele já é queridinho de muitas marcas que buscam um traço firme e muito nervoso.
A diferença de estilos: o excesso de detalhes e um visual mais clean; tudo com nuances pra lá de macabras
É possível notar nos desenhos de Skiff a paixão por desenho animado e história em quadrinho. Foi essa paixão, aliás, que o levou, ainda criança ao desenho. Enquanto tentava passar para o papel os personagens prediletos, desenvolveu a habilidade de hoje. Batman, Os Caça-fantasmas e As Tartarugas Ninjas – que justificam a preferência por passarem o dia todo comendo pizza, também uma das coisas favoritas de Skiff – foram os responsáveis pelo feito.
Os Caça-fantasmas e Mun-ha: o cinema e o desenho animado influenciaram na escolha de Skiff
Os desenhos dele podem ser encontrados em impressos, skates, encartes de CDs, artes em geral para bandas, camisetas; ele mesmo confessa ser um comprador compulsivo de roupas. Aquilo que demonstra nos desenhos, ele gosta de usar: o estilo mescla visual urbano, grafite, skatewear, uma pitada de classe e a jocosa preferência pelo horror.
Outra característica muito presente nos desenhos e na vida de Skiff são os anos 80 e o começo dos anos 90. Nos desenhos percebemos claramente a influência das cores da década, além de referências de filmes, música e desenhos (já disse que ele gosta das Tartarugas Ninja? Pois é).

Cores e temáticas da década de 80 nos desenhos de Skiff
Normalmente, ele desenha no Adobe Illustrator com a Intuos3, tablet da Wacom, responsável pelas melhores tablets do mundo. Sobre como desenvolveu o estilo de desenho, ele mesmo responde em uma entrevista: “Quando eu desenhava só com lápis e papel, meus desenhos eram muito limpos, eu tentava ao máximo não fazer minha arte parecer bagunçada ou rabiscada. Isso era muito fácil de passar para o computador com o Illustrator. Essa pode ser uma das razões pelas quais minhas ilustrações se destacam. Entretanto, é uma luta constante manter meu estilo renovado. Eu fico muito entediado com a mesma coisa sempre, e estou tentando mudar um pouco, mas é muito difícil, especialmente quando os clientes querem o mesmo que eu já criei, e eu tenho pouco tempo para experimentar”.
Ainda que ele queira mudar, o bom mesmo é ver a cultura de caveiras e monstros nervosos estampando camisetas e vontades por aí. Skiff ajuda nisso. Os clássicos do horror – lobisomens, vampiros, bruxas, Frankenstein, O médico e o monstro –, personagens mitológicos – Medusa, deuses do Olimpo –, zumbis, múmias, piratas e garotas gostosas; todos envoltos em muito sangue e gosmas mórbidas.
Gostou do cara? Fique atento que daqui uns dias tem uma surpresinha envolvendo Matthew Skiff e a Crânio.
Nervoso ou nem?
P.S: Este foi o primeiro post da seção “Ilustradores Malditos”. De agora em diante, falaremos com frequência de designers e ilustradores que façam por merecer o título.


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