
Não tenho esse costume de maldizer os outros. Não sou mágico para lançar feitiço e maldição é coisa para quem acredita demais. Só que é a minha opinião. Eu, o Caveira, o cara que acha que tirar carne de gente e estampar em camiseta é uma coisa bacana. Tem gente que acha que isso é praguejar, mas não para mim. Tenho uma relação muito mais respeitosa com os ossos, esses brutos que sustentam toda nossa humanidade ou do que você quer chamar essa coisa aí que mantém a gente vivo.
Só que eu sei respeitar uma coisa quando é benfeita. E ainda que eu não seja muito desses que acredita em qualquer besteira, não me causa nenhum mal levar em consideração algo que teria sido planejado pela própria Morte. Veja bem, é a Dama do Destino, aquela que determina quando é o fim da trama, dessa coisa toda sem sentido e com alguma dose de diversão.
Qual seria o propósito de poder tudo isso sem brincar um pouco de ser misteriosa?
Pois bem. Eu fiz um favor à Morte quando resolvi comprar a ideia da tal maldição. Vinte e sete. Dois mais sete. Nove. De todas as besteiras que dizem, acho muito engraçado quando atribuem significado para essa soma e falam que o nove indica qualidades superiores, mas, também, solidão, impulsividade, autodestruição. Não seria engraçado que a Morte escolhesse para levar os representantes máximos da autodestruição (todos impulsivos, vivendo nos limites do abuso e do aproveitar a todo custo) no dia que resulta no tal número?
Enfim, de volta ao favor. Sim, foi um favor, porque sou um cara que acredita em carne e osso (mais osso, é fato) e não me rendo a besteiras. Só que resolvi dar crédito à Morte só para desafiá-la. Se ela pode lançar uma maldição, eu peço sem muitas gentilezas a licença de revogar a tal praga. Resolvi ir sem convite ao inferno e resgatar aqueles autodestrutivos que foram rendidos porque a Morte achou engraçado levá-los aos 27 anos. Todos músicos. Todos ícones. E eu gosto muito de ícones.
Devidamente escarnados, como eu gosto de vê-los, eles voltam um por um. Renascidos da piada da maldição e da vida de mito para, mais uma vez, serem lembrados. Ela soube criar mitos e eu, bom, com a modéstia que não me cabe, sei reanimá-los de forma ainda mais nervosa.
Eis meu contrato com você, Morte. Eu ouvi sua maldição e acreditei nela; agora, tenho o direito de anular seus efeitos e eternizar esses malditos de 27 anos. Eu concedo a eles a benção do Caveira.
Você aceita?
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Data do Post: 09/11/11
Categoria(s): Toca do Caveira
Tags: Brian Jones, Camisetas, caveira, janis joplin, Jim Morrison, Jimmy Hendrix, Kurt Cobain, maldição, maldição dos 27, morte, Robert Johnson
Publicado por:
22/11/2011 at 12:03 PM
[...] deve ter visto que o Caveira, o cara por trás das camisetas de ossos, escreveu uma carta à Morte. A resposta não veio de forma óbvia, como era de se esperar, e o que você vai ver daqui em [...]
03/12/2011 at 5:25 AM
[...] maldição dos 27 foi finalmente revogada e o Caveira decidiu dar um tempo nessa vida de apresentador de talk show. [...]